Um dia
me peguei com os olhos fixos no espelho
quem diria?
foi a imagem do meu velho que me veio
de quem mais seria?
quando ele se foi, fiquei partido ao meio
uma ducha fria
uma facada profunda no peito.
- Meu moleque
de dentro do espelho ele me falou
- A barra não é leve
eu também já senti falta do seu avô
mas supere
minha vida sem ele continuou
Deus te cerque
no caminho que seu velho começou.
Tá na voz pra cantar
tá na inspiração
tá na mesa do bar
tá na palma da mão
na linhagem do samba
hereditária é a canção
é o tato, é o trato, é o toque, é a tradição.
- Onde estava você
quando corri pra comemorar aquele gol?
Queria te dizer
dos corações que seu filho conquistou
Na hora de crescer
aprendi a não dar mole, não senhor
Até porque
o sangue dos Nogueira mais alto sempre falou.
Um dia
me peguei com os olhos fixos no espelho
quem diria
foi a imagem do meu velho que me veio
mas que alegria!
Alguém lá em cima atendeu meu anseio
e a poesia
pareceu tomar conta do mundo inteiro.
Tá na voz pra cantar
tá na inspiração
tá na mesa do bar
tá na palma da mão
na linhagem do samba
hereditária é a canção
é o tato, é o trato, é o toque, é a tradição (velho João).
*Esta letra nunca chegou ao conhecimento de Diogo Nogueira...
sábado, 2 de julho de 2011
domingo, 12 de junho de 2011
Amor é fogo
Ainda que eu chupasse sua língua uns 10 anos
que eu chupasse sua língua aos montes
êh, calor!
Mais longe eu iria.
Amor é fogo...
que dá e faz querer fuder.
É ferida...
que não impede a mão saliente.
É um contentamento...
de quem gozou e ri cheio de dentes.
É dor...
que vira gemidos de prazer.
É um não-querer...
de quem "não quer" mas vai ceder.
É solitário...
bater uma secretamente.
É nunca contentar-se...
e ser insistente.
É cuidar...
pra ter sempre quem comer.
Ainda que eu chupasse sua língua uns 10 anos
e chupasse sua língua aos montes
êh, calor!
Mais longe eu iria.
que eu chupasse sua língua aos montes
êh, calor!
Mais longe eu iria.
Amor é fogo...
que dá e faz querer fuder.
É ferida...
que não impede a mão saliente.
É um contentamento...
de quem gozou e ri cheio de dentes.
É dor...
que vira gemidos de prazer.
É um não-querer...
de quem "não quer" mas vai ceder.
É solitário...
bater uma secretamente.
É nunca contentar-se...
e ser insistente.
É cuidar...
pra ter sempre quem comer.
Ainda que eu chupasse sua língua uns 10 anos
e chupasse sua língua aos montes
êh, calor!
Mais longe eu iria.
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Poema para não ser lido em público (e só para si)
Eu gostaria de dizer algumas palavras
mas as palavras que eu gostaria de dizer
são palavras que não gostam de ser ditas
são palavras arredias
palavras corporativas
pregam peça na exposição do que não é palavra
do que não é puramente palavra e só palavra.
As palavras não tem corpo, rosto, voz, ouvidos
as palavras não tem sangue, veias, entranhas, nervos
as palavras tem a si
o olhar de fora não vai dentro da palavra
as palavras tem fim sem fundo.
Eu gostaria de dizer algumas
mas as que eu gostaria de dizer
não gostam de passar batidas
nem são suicidas
preferem secar aos poucos
diminuir sem pressa
cair brigando com a gravidade
até dormir sem dar até.
Eu gostaria de dizê-las
mas as que eu gostaria
não gostam
elas preferem dizer...
mas as palavras que eu gostaria de dizer
são palavras que não gostam de ser ditas
são palavras arredias
palavras corporativas
pregam peça na exposição do que não é palavra
do que não é puramente palavra e só palavra.
As palavras não tem corpo, rosto, voz, ouvidos
as palavras não tem sangue, veias, entranhas, nervos
as palavras tem a si
o olhar de fora não vai dentro da palavra
as palavras tem fim sem fundo.
Eu gostaria de dizer algumas
mas as que eu gostaria de dizer
não gostam de passar batidas
nem são suicidas
preferem secar aos poucos
diminuir sem pressa
cair brigando com a gravidade
até dormir sem dar até.
Eu gostaria de dizê-las
mas as que eu gostaria
não gostam
elas preferem dizer...
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Psiuuuuuuuulêncio!
ouve
ou vê
dorme
dor
me
my
mine
not fine
eu digo
mandigo
psiuuuuuuuulêncio!
silênco mine
my
me
dor
dorme
ou vê
dorme
dor
me
my
mine
not fine
eu digo
mandigo
psiuuuuuuuulêncio!
silênco mine
my
me
dor
dorme
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Bom dia!
Quando descanso
o teco-teco do meu ventilador
é que percebo a insuportabilidade dos ares condicionados ao trabalho.
o teco-teco do meu ventilador
é que percebo a insuportabilidade dos ares condicionados ao trabalho.
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Décimo Primeiro Andar
Vi meu nome na súmula
escalado para entrar em campo
sob os olhos ociosos e experientes dos espectadores
o pé direito
o sinal da cruz...
Em cima da hora
do muro
da pilastra
desfalco o time dos suicidas
e o décimo primeiro andar fica no zero.
escalado para entrar em campo
sob os olhos ociosos e experientes dos espectadores
o pé direito
o sinal da cruz...
Em cima da hora
do muro
da pilastra
desfalco o time dos suicidas
e o décimo primeiro andar fica no zero.
sexta-feira, 11 de março de 2011
O Marinheiro
O marinheiro não olha pra trás
não vê o menino ficar distante
veste a cor do seu sonho
abre a porta do mundo com a chave do entusiasmo.
A carona passa e ele escolhe o lado de dentro.
Vai tropeçando nas ondas da vida
no vai-e-vem de idas e vindas
até cair num porto de pele morena
e encontrar espaços nos braços do cais
a bússula do lado esquerdo do peito acena
na direção de uma paixão capaz
de deixar-lhe preso na corrente marítima
fora do mapa, fora do mar aberto
baixando a âncora revestida de vítima
em terra firme, o que define a frieza de ver sempre o mesmo teto.
O marinheiro agora relembra o teto estrelado
a corrida a favor da brisa
os pecados nas entrelinhas dos pontos cardeais
o rasgo nas águas que espelham o infinito.
O adeus é salgado
vai embora pelo caminho da lágrima
aporta em outros corações
e já não está mais lá quando os olhos ao lado acordam.
Retorna ao colo dos lençóis que amanhecem com o desenho do seu corpo
ao seio das madrugadas sempre pra fora do sutiã do tempo
ao balanço das deusas, ninando-o entre sereias de água doce e triângulos sem bermudas.
Lugares onde o sonhador
o aventureiro
o incansável marinheiro
sente-se um gigante
um menino
brincando de ser gente grande.
não vê o menino ficar distante
veste a cor do seu sonho
abre a porta do mundo com a chave do entusiasmo.
A carona passa e ele escolhe o lado de dentro.
Vai tropeçando nas ondas da vida
no vai-e-vem de idas e vindas
até cair num porto de pele morena
e encontrar espaços nos braços do cais
a bússula do lado esquerdo do peito acena
na direção de uma paixão capaz
de deixar-lhe preso na corrente marítima
fora do mapa, fora do mar aberto
baixando a âncora revestida de vítima
em terra firme, o que define a frieza de ver sempre o mesmo teto.
O marinheiro agora relembra o teto estrelado
a corrida a favor da brisa
os pecados nas entrelinhas dos pontos cardeais
o rasgo nas águas que espelham o infinito.
O adeus é salgado
vai embora pelo caminho da lágrima
aporta em outros corações
e já não está mais lá quando os olhos ao lado acordam.
Retorna ao colo dos lençóis que amanhecem com o desenho do seu corpo
ao seio das madrugadas sempre pra fora do sutiã do tempo
ao balanço das deusas, ninando-o entre sereias de água doce e triângulos sem bermudas.
Lugares onde o sonhador
o aventureiro
o incansável marinheiro
sente-se um gigante
um menino
brincando de ser gente grande.
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