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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

O Barraco da Nêga

Prometi pá nêga
um barraco na Cidade Nova
ela disse: "si fô na Cidade Nova
o barraco tem qui sê novo tamém."
Ah, nêga, assim não tem...
Ah, nêga, assim não tem...

Falei da baixada
falei das redondeza
mas a nêga qué subí na vida
em vez de baixada ela qué sê alteza.
Vindo da nêga não é surpresa...
Vindo da nêga não é surpresa...

Que tal Paraty
uma ilha só pá gente?
Ela diz: "si fô só pá gente
tem qui si chamá 'Paranós'."
Nêga, nêga, ainda sumo dos seus lençóis...
Nêga, nêga, ainda sumo dos seus lençóis...

Se eu falo Búzios
ela prefere tarô
se eu falo Barra
depende se a barra tá limpa
se eu falo Piedade
ela pergunta o que eu fiz de errado
se eu falo Saúde
ela diz: "não, já tenho, brigado."

Falei de outros lugá
falei do Alto da Boa Vista
mas a nêga qué muito mais
qué tê o barraco na capa da revista.
Ah, nêga, desse jeito não tem quem resista...
Ah, nêga, desse jeito não tem quem resista...

Falei do Encantado
mas a nêga cortou logo a onda
ela qué tê um barraco de verdade
e não um de faz de conta.
Ah, nêga, tu só me desaponta...
Ah, nêga, tu só me desaponta...

Se eu falo Glória
ela pergunta: "quem é essa daí?"
Se eu falo Maria da Graça
tenho que mentir e dizer que é uma prima
se eu falo Bangu, Grajaú, Nova Iguaçu
ela vem de sururu
e me xinga fazendo rima.

Ah, nêga, não me desanima...
Ah, nêga, porque se eu desanimá...
Ah, nêga, tu volta pá esquina...
Ah, nêga, e o barraco eu deixo pá lá...

domingo, 16 de janeiro de 2011

Pessoas práticas não gostam de poesia
A poesia não possui inimizades
Pessoas práticas são pelo o que é e não pelo o que seria
A poesia não restringe suas possibilidades.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Letras Tortas IX (Endy in Rio)

A nona edição do Letras Tortas foi especial. E foram vários os motivos. Também chamado de Endy in Rio, devido a presença de nossa ilustre amiga em terras tupiniquins, o evento foi realizado na casa da transcendental Márcia "Marcinha" Lucius, cujas portas abertas receberam pessoas que há tempos não davam o ar da graça.

A mesa de bar deu lugar a um churrasco que teve de tudo um pouco. Desde Lâmina Blue (tocando ao vivo, mesmo com a presença de apenas 50% da banda - nota de registro: 25% da banda, ou seja, o baixista Alexandre Magoo, ficou responsável pelo churrasco após a despedida precoce do nosso amigo Daniel) até um ambiente de rave com Tiago, irmão da Marcinha.

Quem conhece o Letras Tortas, sabe que pérolas nunca faltaram. Elas estão sempre nos acompanhando em cada edição. Desta vez, não foi diferente. Porém, neste Letras Tortas, nada foi anotado. As coisas aconteceram e os alguns "pensamentos de efeito" foram ficando, ficando, ficando. Outros, infelizmente, caíram no limbo do esquecimento.

Mas você! É, você mesmo! Você que esteve lá. Você que participou. Você que é testemunha viva e ocular desta edição do Letras Tortas. Se você lembra de algo que foi dito e que não está aqui, devidamente registrado, manifeste-se! Deixe seu comentário! O Letras Tortas IX - Endy in Rio - agradece...


Ah, as fotos...



Luciana, Daniel, Márcia e Endy.





Momento piscina 1





Momento piscina 2 - Endy





Momento piscina 3





Galera





Momento refrescante





Madame




Momentos para não serem esquecidos:



CHURRASQUEIRO: AQUELE QUE NÃO NEGA FOGO.



JAMES JOPLIN, IRMÃO DO NIRVANA.



MAGICAL, LOGICAL, STUPIDAL.



ELES SÃO COMPOSITORES?



É MÚSICA PRA NOVELA DAS SETE.



MALHAÇÃO É SACANAGEM!



NO QUE A VIDA É, A BANANADA HÁ.



SOU CAOZEIRA...



SUA LINGUIÇA TÁ UMA DELÍCIA... QUENTINHA...



MAGOO, FICA QUIETO, SENÃO VOU LIGAR PRA GABRIELA.



A PIROCA ESTÁ PARA A BUCETA ASSIM COMO A BUCETA ESTÁ PARA A PIROCA.







Rave pra dois...





Rave pra três...





Rave pra quatro...





Cansaram?





Oh! Quem será?





Peo visto, o Letras Tortas IX - Endy in Rio - foi um sucesso!

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Poema-desertor (vídeo)




No youtube: http://www.youtube.com/watch?v=1eyW6r0Ac0A

sábado, 11 de dezembro de 2010

Centenário de Noel Rosa

11 de dezembro de 1910 - 11 de dezembro de 2010.





Minha parceria centenária com Noel Rosa: Vila

A Vila em dó maior
dá na garganta um nó
com um ré na história.

No braço do violão
apresenta à nova geração
relíquias da memória.

O mi bem dado do músico
com um fá com sétima lúdico
é a atração do bar.

O sol se põe no acorde
e lá vem a noite pra sorte
daqueles que querem sambar.

Vila - pilha do meu samba
passa das três da manhã
e todo mundo ainda canta.

Vila - boemia que atrai
passa das três da manhã
e ninguém se vai.

Baile Funk

Fui ao baile funk completamente nu
e despido do olhar pré-feito
o prefeito do salão
à presidente foi eleito
descendo até o chão
daquele jeito
numa celebração à resistência
à potência do batidão
sem pedir clemência
à higienização dos becos
dos guetos
dos pretos
no chicote da pele
na fuga do sangue
na senzala do corpo
na lei áurea da alma.

Com a noite em si
e a lua nos olhos
colou na cinturinha da Barra
mordeu o pescocinho de Ipanema
pegou na nuca de Copacabana
conheceu o high society
e Caxias dormiu feliz
coberto com suor de festa.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Intervalo

Sentido
sem tido
tempo
de temperá-lo
me interno
no seu intervalo.