O mendigo barbado, cabeludo, sujo, com panos de chão a cobrir-lhe a alma, dribla a segurança e bate à sua porta uma vez por ano, uma noite, uma.
Você que espera o presente cujo
futuro transformará em velharia, mal vê a sandália que separa a sola de outro pé do chão compartilhado.
As chibatadas dos seus olhos vingam a falha da segurança nos olhos remelentos e bem acordados a constatar o sono profundo de muitos outros.
A luz piscante, a comida farta, a roupa nova, a voz alta, tudo expulsa quem já está lá fora, dono de outra coisa que não vem de dentro das cercas.
O segurança transtornado pega o mendigo pelo pescoço e o arrasta para longe, ainda mais, entre seus pedidos de desculpa à família ameaçada.
Ganha umas porradas e vai embora por aí antes que o amanhã 26 chegue e ele volte a apenas decorar as mesmas casas.
terça-feira, 24 de dezembro de 2013
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
Paga pra ver
muita hora nessa calma
na qual o anti-consumismo
vende a própria alma
e se põe como o último
animal da nossa fauna
na qual o anti-consumismo
vende a própria alma
e se põe como o último
animal da nossa fauna
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
terça-feira, 26 de novembro de 2013
Volta
não perco nada...
tudo volta a ser
coisa emprestada
dê uma olhada...
nem toda equação
está na tabuada
tudo volta a ser
coisa emprestada
dê uma olhada...
nem toda equação
está na tabuada
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
Meia
O traficante
cujo nome não me nomeia
quando me avistou adiante
na porta da escola alheia
se aproximou de mim
e disse assim:
"estudante
na minha mão
- sangue bão -
paga meia".
Tirei do bolso da calça
minha carteirinha falsa
e não fui modesto.
"Pelo o que quero
pago meia, tênis, bermuda
e todo o resto".
cujo nome não me nomeia
quando me avistou adiante
na porta da escola alheia
se aproximou de mim
e disse assim:
"estudante
na minha mão
- sangue bão -
paga meia".
Tirei do bolso da calça
minha carteirinha falsa
e não fui modesto.
"Pelo o que quero
pago meia, tênis, bermuda
e todo o resto".
domingo, 1 de setembro de 2013
Noite
A noite
é uma criança
cuja andança
naturalmente
me faz
sem alarde
esperar
mais tarde
a adolescente
e mais tarde ainda
pela madrugada
receber minha linda
mulher esperada.
é uma criança
cuja andança
naturalmente
me faz
sem alarde
esperar
mais tarde
a adolescente
e mais tarde ainda
pela madrugada
receber minha linda
mulher esperada.
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