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terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Amanhã 26

O mendigo barbado, cabeludo, sujo, com panos de chão a cobrir-lhe a alma, dribla a segurança e bate à sua porta uma vez por ano, uma noite, uma.
Você que espera o presente cujo 
futuro transformará em velharia, mal vê a sandália que separa a sola de outro pé do chão compartilhado.
As chibatadas dos seus olhos vingam a falha da segurança nos olhos remelentos e bem acordados a constatar o sono profundo de muitos outros.
A luz piscante, a comida farta, a roupa nova, a voz alta, tudo expulsa quem já está lá fora, dono de outra coisa que não vem de dentro das cercas.
O segurança transtornado pega o mendigo pelo pescoço e o arrasta para longe, ainda mais, entre seus pedidos de desculpa à família ameaçada.
Ganha umas porradas e vai embora por aí antes que o amanhã 26 chegue e ele volte a apenas decorar as mesmas casas.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Paga pra ver

muita hora nessa calma
na qual o anti-consumismo
vende a própria alma
e se põe como o último
animal da nossa fauna

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

No escuro

tímida era a fruta
que eu chupei
no fundo da gruta

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Volta

não perco nada...

tudo volta a ser
coisa emprestada



dê uma olhada...

nem toda equação
está na tabuada

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Meia

O traficante
cujo nome não me nomeia
quando me avistou adiante
na porta da escola alheia
se aproximou de mim
e disse assim:

"estudante
na minha mão
- sangue bão -
paga meia".

Tirei do bolso da calça
minha carteirinha falsa
e não fui modesto.

"Pelo o que quero
pago meia, tênis, bermuda
e todo o resto".


SuperVaia

O trem
que vem
vinha...

Quando não anda bem
o passageiro também
sai da linha.

domingo, 1 de setembro de 2013

Noite

A noite
é uma criança
cuja andança
naturalmente
me faz
sem alarde
esperar
mais tarde
a adolescente

e mais tarde ainda
pela madrugada
receber minha linda
mulher esperada.