Translate

quinta-feira, 13 de março de 2008

IX Salão Poético da AABB - 09/03/08

No último dia nove de março, foi realizado o IX Salão Poético no Salão Margarida da AABB-RJ (Associação Atlética Banco do Brasil). Comemorando o dia internacional da mulher (08) e o dia nacional da poesia (14), o evento contou com as presenças da pianista Ilka Jardim, o Grupo de poetas da APPERJ apresentando o texto manifesto e os poemas para o Partido Político da Poesia, e a apresentação livre de poetas.

Partido Político da Poesia (PPP).


A coordenação do evento ficou a cargo de Eurídice Hespanhol Pessoa, Regina Marquez dos Reis Gonzales, Marcelo Ottoni e Evelyn Esteves. A AABB fica na Av. Borges de Medeiros, 829, Lagoa.

Todos que participaram.


Bob Dylan - Rio Arena - 08/03/08

Com o fim do Pan-Americano, algumas instalações construídas especialmente para os Jogos estão agora abrigando grandes shows na cidade do Rio de Janeiro. Uma delas é a Arena Olímpica do Rio (Rio Arena) - uma arena multiuso que, no último dia 8 de Março, recebeu o homem que deixou Elvis com inveja, teve Lennon como grande fã e fez da gaita seu instrumento marcante: Bob Dylan.



Antes do show em solo carioca, porém, Bob fez duas apresentações em São Paulo. Fico espantado ao ler, na internet, tantas notas e resenhas falando mal de ambos os concertos. Algumas, inclusive, acusam o artista de hoje em dia ser uma "mera caricatura de si mesmo." Eu, como grande fã de Dylan, já havia comprado meu ingresso (o mais barato e com direito a meia-entrada - foi o que minhas aulas particulares permitiram). Que me perdoem meus amigos(?) paulistas. Não sei o que aconteceu em Sampa - se a banda não estava inspirada ou se Dylan não se sentiu confortável (o que não deve ter sido verdade pois, reza a lenda, antes de chegar ao Via Funchal, ele teria saído do carro e ido até o camarim a pé, andando entre a galera como um simples mortal que ele não é). O fato é que no Rio, things have changed.


As pessoas ainda procuravam um bom lugar para assistir ao show quando uma música clássica que eu não sei o nome (perdoem minha ignorância) toma conta do ambiente, como se nos avisasse que o grande momento estava perto. Uns cinco minutos depois, a tal música clássica pára e, ao mesmo tempo, as luzes são apagadas. O escuro só não é completo por causa dos flashes que pipocam sem parar. Quem olha para o palco religiosamente, percebe os músicos tomando suas posições. Robert Zimmerman está lá: chapéu preto, paletó cinza, çalça e sapatos pretos. Com sua banda "mafiosa" (todos vestidos de preto), ataca logo de cara com "Rainy day woman #12 & 35". A voz é rouca e a canção é mais falada do que cantada. Sim, é Bob Dylan.





A cada fim de música, o palco fica em total escuridão. Dylan sente cada canção. Vai no embalo, seja mexendo a cabeça ou as pernas. Mais que isto: parece pouco se importar com o passado e mostra que não parou no tempo. Prova disto são as ótimas canções de seu atual trabalho, "Modern Times" - "The leeve's gonna break", por exemplo. Já clássicos como "It ain't me be", "Masters of war", "Things have changed", "My back pages" e "Highway 61 Revisited", ou ganham um novo acompanhamento da banda, ou ganham uma nova forma de cantar (ou sussurrar?) de Dylan, tornado quase impossível acompanhá-lo.


O público também merece um destaque especial. Dividida entre a reverência e a perplexidade, a platéia encara o desafio de cantar com o ídolo. Em vão. Resta o prazer em ouví-lo. Sentadinhos, os presentes acompanham as músicas com palmas, outras vezes batem um dos pés e fingem ser o baterista de Dylan. Somente na penúltima canção da primeira parte do show, "Summer days", os Vips foram liberados a ficar pertinho do palco, pulando, gritando e acenando para Dylan. "Like a rolling stone" veio em seguida. Todos cantam a versão imortalizada enquanto Dylan improvisa a linha vocal. Não lembro de ter cantado recentemente o refrão de uma música com tanta vontade quanto aquele.


A banda sai. A galera pede, clama por Bob. Um pouco acima de mim, percebo três amigos se juntarem, usando a luz de seus celulares, para cantar "Blowin' in the wind". Alguns minutos depois, ele está de volta. Toca "Thunder on the mountain", cheia de improvisos. Por fim, "Blowin' in the wind" surge. O público quer cantar. Mas a melodia original é trocada por uma levada mais lenta, nem por isso menos aplaudida. Apesar do "conflito", a noite acaba com palmas entusiasmadas.


Saindo do Rio Arena, vejo Frejat (fã declarado de Dylan). Pergunto ao vocalista do Barão Vermelho o que achara do show. "Olha, eu gostei", disse com aquela cara de quem também não sabia o que havia acontecido em São Paulo. Ali, já não importava. As pessoas se indagavam, sim, se Dylan voltaria algum dia. The answer, my friend, is blowin' in the wind.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Poema-desertor

Meu poema não tem rima
Nem rima rica, milionária, bilionária
Que ganhou na Mega-Sena
E hoje limpa o cú com nota de cem,
Nem rima pobre, falida, miserável
Que, desdentada,
Fede sem ter onde cair morta.

Meu poema também não oferece várias interpretações
Possibilidades, sentidos,
Comentários que o levem a congressos, seminários,
Paletras, encontros, saraus, mesas de bar
Ele nem mesmo cabe em caderno, livro,
Bloco ou guardanapo.

É poema difícil, inquieto, incômodo, rebelde
Desertado do Olimpo por espetar a bunda dos deuses
Despir suas deusas
Adulterar seu vinho,
Expulso do paraíso como aquele anjo caído
Que hoje crava suas pegadas de fogo
Por essas bandas.

Meu poema tem o sagrado no maldito
O belo no grotesco
O verso no inverso de concursos, disputas, classificações
Dispensa prêmios, honras, aplausos, reconhecimento
O que ele diz, basta
O que ele é, basta.

Poema-desertor
Meu poema não é meu
Eu não sou do meu poema
Apenas temos interesses em comum
Prazeres a dividir
Oriundos de uma simpatia recíproca

Depois ele vai embora
E outro vem
Desacatar a ordem
Dar língua para o mestre
E fazer careta no tribunal.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Família Soneto

Sou neto de um soneto e tenho um pai versificado
Com mamãe fez direito um poema trabalhado
Um poema que, parido, pareceu cair na fria
Estava submetido a seguir a dinastia.

Na métrica e na rima, atendo o que esperam
Poema que se inclina a ser o que bem quiseram
Quatro estrofes me levantam - duas delas, quatro linhas
Juntas brilham e encantam, mas não tem poder sozinhas.

Tenho mais duas estrofes
Cada uma com três vozes
Pra alegrar a família.

Papai, mamãe, vovôzinho
Não são apenas meu ninho
São, sim, minha trilha.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Leia!!!


"Aos 25 anos, Arthur Rimbaud - o autor maldito de Uma estação no inferno, o pioneiro da poesia moderna, o amante de Paul Verlaine, o ídolo de Bob Dylan e Jim Morrison - abandonou de vez a literatura e a fama e partiu para uma viagem à África, onde sobreviveu durante 11 anos como comerciante, explorador e contrabandista de armas, e de onde só saiu para morrer, em marselha, em 1891, mutilado e infeliz. Em Rimbaud na África, o premiado escritor Charles Nicholl faz um levantamento minucioso dessa etapa pouco conhecida da vida de Rimbaud, que interpreta à luz de uma de suas frases mais célebres: "Je est un autre." Segundo Nicholl, é em busca desse outro que o poeta empreende sua fascinante e trágica jornada ao fundo da noite(...)."
  • Tradução: Mauro Pinheiro
  • Tradução dos poemas e leitura crítica: Ivo Barroso
  • Título original: Somebody else: Arthur Rimbaud in Africa

  • "Eu é um outro..."

Arthur Rimbaud, "Carta do vidente"

  • You lose yourself / You reapper / You suddenly find / You got nothing to fear..."

Bob Dylan, "It's Alright, Ma"

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Branco-virgem

O branco-virgem do papel
É convite ao estupro
Criança inocente
Calada
Estática
Prende o choro
E vê o homem sujo:
Ele vomita rios
Mares
Oceanos de sangue
Na velocidade de um gozo fora da lei.

Banquete a ser devorado
Pernas abertas
Quentes
Livres
Induzem o marginal
Ele se lambuza
E não recusa o animal em si.

Toda intensidade
E todo papel
Possuem um anel
De compromisso.

A pureza da planície branca
É cabaço
É lazer
É ofício.




  • Quinto poema da plaquete "Os Sete Espelhos Quebrados".

Leia!!!

" Assim como Sócrates, Buda e Jesus Cristo, Torquato não deixou livros".
Paulo Leminski
  • Toninho Vaz. Pra Mim Chega: a Biografia de Torquato. São Paulo: Casa Amarela, 2005.