Canal Poheresia

Loading...

Translate

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

domingo, 10 de janeiro de 2010

Porra é amor, porra?

Após uma longa e trabalhosa jornada de pesquisas e leituras, o final de semana, o sofá e a televisão eram meus amigos de plena vagabundagem. O sábado de sol estava lá, quieto, em silêncio, passando em branco, sem se atrever a tirar aquela paz de mim. O sofá abriu seus braços e aceitou meu corpo quase moribundo sem reclamações ou conselhos. E a tv decorava a cena pouco se importando com minha atenção distraída. Nada, absolutamente nada, poderia me tirar daquele mantra interno.

Estava tudo muito zen para ser verdade. Pisquei os olhos e me vi em um show da Rita Lee que aprontava das suas naquele quadro estático, entretanto nem um pouco irrelevante. "Bem, ao menos não é a Lady Gaga" - pensei, abrindo um sorriso simpático à mãe do Rock nacional. Comecei a curtir a apresentação até ouvir "Lança Perfume". Não lembro quantas centenas de vezes já ouvi aquela música. Porém, naquele momento, os versos "me deixa de quatro ano ato, me enche de amor" fizeram parar o mundo. Senti o show acabar, o sofá incomodar, a tv ficar fora do ar e o sábado de sol virar uma segunda de chuva.


"Me deixa de quatro no ato, me enche de amor". Era a única coisa que eu ouvia. Quem tentasse falar comigo, eu só leria nos lábios da pessoa "me deixa de quatro no ato, me enche de amor". Ainda bem que eu estava sozinho e não em uma igreja.

O efeito daqueles versos fez de mim um campo de problematização. Da específica problematização daquelas palavras. "Me deixa de quatro no ato, me enche de amor". O "me enche de amor" como consequência do "me deixa de quatro no ato" me fez enxergar, com outros olhos, algo que, até então, para mim, era apenas mais um produto do corpo masculino em plena ação na música: a porra. Ela que é tão desgastada no cotidiano de conversas informais. Ela que é tão conhecida dos adolescentes. Ela que é amada e odiada tanto quanto qualquer figura pública ilustre. Estaria ela, naquela música, recebendo uma ode?

Sim, a porra. E eu pergunto: de acordo com "me deixa de quatro no ato, me enche de amor", porra é amor? Silêncio...

Mas se é amor, por quê tantas mulheres a rejeitam? Elas não querem amar? Só querem sexo? Não adianta, ela estará lá. E a rejeição delas também. E aquelas mulheres que a adoram? Seria o caso de mulheres que amam demais? E os adolescentes que amam sozinhos por horas e horas no banheiro ou no quarto com a porta fechada? Amar ainda é tabu? Quem não ama? Quem não procura um amor verdadeiro? E quem diz que "beijo com amor é mais gostoso", hein? Que beijo será esse?

Espero que esta dúvida comova você a ponto de me ajudar a responder a pergunta que fez aquele corpo deitado no sofá correr para o computador e digitar este pedido de socorro. Afinal de contas: porra é amor, porra????