Translate

domingo, 25 de janeiro de 2009

Fantasmas

Conheço meus fantasmas
meu público privado
minha audiência cativa
do escuro do quarto
é um parto por dia
cada um deles
rodopia à minha volta
e em todas as vezes
eu pergunto pra eles
se algum me aprova.

É quando ninguém me vê
que fico mais exposto
fico à mercê
do ar blasé
de uma platéia sem rosto
não durmo, não páro
querem sempre mais
têm fome,têm sede
há tiros na minha paz
há pregos na minha rede.

No verde do poeta
versos queimam
na fogueira da poesia.

As chamas, velozes
chamam em altas doses
as vozes da minha anomalia.

Um comentário:

Daniel Andrade disse...

tais fantasmas são de fato dignos de um poema, cara.
muito maneiro, me identifiquei com a idéia e, principalmente, adorei o poema!
parabéns!