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sexta-feira, 11 de março de 2011

O Marinheiro

O marinheiro não olha pra trás
não vê o menino ficar distante
veste a cor do seu sonho
abre a porta do mundo com a chave do entusiasmo.

A carona passa e ele escolhe o lado de dentro.

Vai tropeçando nas ondas da vida
no vai-e-vem de idas e vindas
até cair num porto de pele morena
e encontrar espaços nos braços do cais
a bússula do lado esquerdo do peito acena
na direção de uma paixão capaz
de deixar-lhe preso na corrente marítima
fora do mapa, fora do mar aberto
baixando a âncora revestida de vítima
em terra firme, o que define a frieza de ver sempre o mesmo teto.

O marinheiro agora relembra o teto estrelado
a corrida a favor da brisa
os pecados nas entrelinhas dos pontos cardeais
o rasgo nas águas que espelham o infinito.

O adeus é salgado
vai embora pelo caminho da lágrima
aporta em outros corações
e já não está mais lá quando os olhos ao lado acordam.

Retorna ao colo dos lençóis que amanhecem com o desenho do seu corpo
ao seio das madrugadas sempre pra fora do sutiã do tempo
ao balanço das deusas, ninando-o entre sereias de água doce e triângulos sem bermudas.

Lugares onde o sonhador
o aventureiro
o incansável marinheiro
sente-se um gigante
um menino
brincando de ser gente grande.

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