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segunda-feira, 14 de julho de 2008

A visão de mundo da obra de Augusto dos Anjos no poema "O Pântano".

O PÂNTANO

Podem vê-lo, sem dor, meus semelhantes!...
Mas, para mim que a Natureza escuto,
Este pântano é o túmulo absoluto,
De todas as grandezas começantes!

Larvas desconhecidas de gigantes
Sobre o seu leito de peçonha e luto
Dormem tranqüilamente o sono bruto
Dos superorganismos ainda infantes!

Em sua estagnação arde uma raça,
Tragicamente, à espera de quem passa
Para abrir-lhe, às escâncaras, a porta...

E eu sinto a angústia dessa raça ardente
Condenada a esperar perpetuamente
No universo esmagado da água morte!




O Pré-Modernismo marca a transição de valores estéticos do século XIX para uma nova realidade que se desenhava socialmente. Entretanto, os poetas pré-modernistas não queriam enfrentar essas questões e tinham na evasão um meio de fuga. Sua literatura tem como proposta uma claridade de visão (uma posição radicalmente contra o Simbolismo). Augusto dos Anjos é um dos poetas pré-modernistas mais importantes. Sua metáfora é chocante e cristalina (ao contrário das imagens simbolistas). Sua tendência é pessimista e ainda aborda a escatologia do ser humano no sentido físico, científico.
No poema "O Pântano", o eu-lírico usa o pântano como uma metáfora pessimista do meio onde vive com seus semelhantes: "Podem vê-lo, sem dor, meus semelhantes!.../Mas, para mim que a Natureza escuto/Este pântano é o túmulo absoluto/ de todas as grandezas começantes!". A "Natureza" é uma alegoria (não tão subjetiva quanto o que existe no Simbolismo) que significa a vida. O eu-lírico ouve a vida como só um poeta é capaz (dando a entender que o eu-lírico aqui é o próprio Augusto dos Anjos).
No verso "Em sua estagnação arde uma raça", há a abordagem de uma questão moderna: o tempo. Estagnado, parado, o tempo passa e a não-ação é uma morte em andamento. O movimento é o que produz. E mesmo que este movimento vá parar na morte, esta morte não é o fim, pois o movimento, a produção é sagrada, enquanto a não-ação é condenada.
Já no fim do poema, há a idéia de matéria versus alma (muito presente na obra de Augusto dos Anjos). A matéria é o corpo que trabalha como a prisão da alma e o ser humano está condenado a viver sua vida até encontrar a morte, a musa desejada que o liberta. "E eu sinto a angústia dessa raça ardente/condenada a esperar perpetuamente/no universo esmagado da água morte".

Um comentário:

Anônimo disse...

Jesus!!! Olha só o fruto das aulas! Rs.
Angélica Castilho