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terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Amanhã 26

O mendigo barbado, cabeludo, sujo, com panos de chão a cobrir-lhe a alma, dribla a segurança e bate à sua porta uma vez por ano, uma noite, uma.
Você que espera o presente cujo 
futuro transformará em velharia, mal vê a sandália que separa a sola de outro pé do chão compartilhado.
As chibatadas dos seus olhos vingam a falha da segurança nos olhos remelentos e bem acordados a constatar o sono profundo de muitos outros.
A luz piscante, a comida farta, a roupa nova, a voz alta, tudo expulsa quem já está lá fora, dono de outra coisa que não vem de dentro das cercas.
O segurança transtornado pega o mendigo pelo pescoço e o arrasta para longe, ainda mais, entre seus pedidos de desculpa à família ameaçada.
Ganha umas porradas e vai embora por aí antes que o amanhã 26 chegue e ele volte a apenas decorar as mesmas casas.

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