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quinta-feira, 2 de julho de 2009

Análise comparativa dos poemas abaixo:

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra

(Carlos Drummond de Andrade)




Todos que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão...
Eu passarinho!

(Mário Quintana)





Um ponto em comum entre o poema de Carlos Drummond de Andrade e o poema de Mário Quintana é a questão do obstáculo. Este obstáculo é o que será analisado nos dois poemas modernistas.
No primeiro, Drummond (no primeiro verso) escreve a palavra "caminho". Todo caminho só existe quando passamos por ele. E que caminho seria este? Ao relembrarmos que tal poema é uma manifestação modernista (ou seja, pertencente a vanguarda, cheia de ideais para melhorar a sociedade), podemos supor que esté é o caminho traçado por aqueles que desejam dias melhores. Entretanto há uma pedra, diz o eu-lírico. A pedra está no meio do caminho como obstáculo. Não fica claro se o obstáculo foi superado ou não. Pouco importa. O que fica registrado é o momento em que surge: "Nunca me esquecerei desse acontecimento / na vida de minhas retinas tão fatigadas". A "vida de minhas retinas tão fatigadas" passa a idéia de várias pedras superadas ao longo da vida e aquela pedra do poema seria mais uma.
No poema de Mário Quintana, o obstáculo surge no segundo verso: "Atravancando o meu caminho". Aqui, o obstáculo se faz claramente presente diante do caminho do eu-lírico. A mesma explicação vanguardista para o "caminho" de Drummond serve para este "caminho" de Quintana. Entretanto, diferentemente do poema de Drummond, o eu-lírico do segundo poema se mostra vitorioso diante do obstáculo: "Eles passarão... / Eles passarinho!". O "passarão" dá a idéia de algo tão grande (alguém ou algo, no sentido social, talvez) que mal tem forças para se sustentar (um pássaro que não voa por não aguentar seu próprio tamanho). Já o eu-lírico é um "passarinho". Ele pode não ter o mesmo valor social. Porém ele voa e é livre para ir e fazer o que quiser.
Os dois poemas abordam caminhos e obstáculos como uma grande cena de superação em consequência de um ideal.

3 comentários:

Contos de F. disse...

análise bem prática! vou usar numa aula! com os devidos creditos, claro! abraço!

Anônimo disse...

comentario equivocado....
Carlos, simplismente faz alusão a as ruas da sua cidadezinha na qual nascera, no interior de Minas, feita por grandes blocos de pedras.

Anônimo disse...

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