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terça-feira, 6 de novembro de 2007

Qual a diferença entre poética clássica e poética moderna?

Podemos dizer que a diferença entre a poética clássica e a moderna é: enquanto a primeira remete-se à tradição, à representatividade dos clássicos seguindo a linha academista responsável pela estética normativa, a segunda quebra este elo e passa a produzir a sua própria história.A poética clássica está ligada à imitação da natureza num todo. Desta arte origina-se o prazer. O homem reconhece sua habilidade ao reproduzir o que já existe na natureza, orgulhando-se de sua capacidade. "O homem regozijar-se, antes de tudo, por ter criado um artifício, por ter demonstrado a sua habilidade e por ter verificado de quanto era capaz" (Os pensadores, p. 45). Já a poética moderna, na figura de Hegel, afirma que a arte puramente imitativa está condenada à imperfeição. De acordo com esta visão, a arte deve ser expressiva. Ela deve ser a expressão do espírito. "Ora, o que torna estas representações particularmente imperfeitas é a ausência da espiritualidade" (Os pensadores, p. 47). Caso a arte seja entregue à regra, à imitação, ela não passará de uma simples abstração. Sua missão é justamente ir além. O prazer da arte meramente imitativa não se compara ao prazer de uma arte que pode ser sua. "Maior prazer deveria sentir o homem produzindo algo que proviesse de si, que lhe fosse próprio, a que pudesse chamar seu" (Os pensadores, p. 45). Enquanto o clássico se prende ao eterno, o moderno é mutável. Esta eternidade refere-se à tradição, à continuidade, à imitação dos clássicos, daquilo que era considerado o melhor. Em relação à mutação, que está aliada à modernidade, pode-se dizer que ela está relacionada com a questão histórica, com o lado humano.O conceito de objetividade está ligado à poética clássica. Ela possui uma verdade existente em si (eis o que a define). O ser humano necessita adequar-se à natureza para imitá-la. Natureza esta que tem a ver com a noção de eternidade. Já o conceito de subjetividade está ligado à poética moderna. Este conceito remete o ser humano à idéia de produção (aqui podemos dizer que a verdade, diferentemente da poética clássica, está para si. Tal fato resulta num estatuto pragmático. O homem liberta-se da natureza agora considerada uma prisão) e expressão (aqui temos o sentimentalismo). Aqui também encaixa-se a Teoria do Gênio - o homem liberta-se da natureza para humanizar-se. Mas, ao mesmo tempo, sente sua perda, a perda de sua origem. É justamente o gênio que faz esta ligação entre a natureza e a cultura.

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